Mostrando postagens com marcador prazer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador prazer. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de julho de 2014

primeiro o fubá, depois o dendê



Nunca achei que fosse lá grande coisa como dona de casa. Mesmo assim, trato de aspirar tudo, lavar a roupa, tirar o pó, espalhar perfumes delicados pela casa e tudo que é necessário para que o prazer sempre fique aqui dentro.

Hoje recebi telefonema de amiga que não vejo há muito. Do outro lado da linha, as novidades e o pedido:
- Muita saudade da sua comida... se eu estivesse por aí, ia pedir pra você fazer um feijãozinho pra mim.

Não me arvoro em grandes preparos no fogão. Estou mais para cozinha medíocre do que pra mestre cuca. Por isso fico tão espantada com os pedidos que não são raros de almoço, jantar, café e afins aqui em casa.
No outro lado da moeda está a satisfação de preparar a mesa para aqueles que gosto. Alguém já disse, em algum lugar, que cozinhar é um ato de amor. Acho que é mesmo.
Estar na cozinha é doação, é querer o prazer do outro, é agradar, atender, louvar. As competências para isso não estão no antigo livro da D Benta ou nas receitas do Anquier.
A cozinha pulsa dentro do peito.

Uma refeição é também feitiçaria, muda humores, conversa com o corpo e alimenta a alma. Em algumas vezes, entre consistências e sabores, pula para um prazer quase erótico.
Desconfio muito daqueles que não se entregam aos agrados da mesa com honraria e realeza, com calmaria e fineza, com todos os sentidos.

Ah! E que maravilha pensar no Vinicius a elaborar comidinhas para depois do amor. Ou a Babette a causar espanto com seus poderes de bruxa do bem naquela vilazinha maluca do filme.

Aprendi que a boa mesa se faz com os ingredientes mais caros (que não estão no mercado) e a dividimos com quem gostamos. Aqui em casa é assim.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

as coisas do prazer


Essa noite eu não dormi. Putz! Quando olhei no relógio pela última vez era 5:49, me distraí e 5 minutos depois já marcava 7:30. Com essas míseras quase duas horas de descanso saí de casa. Para enfrentar o dia, para ganhar o dia, para conquistar o dia. Para trazer o pão.

No caminho meu telefone tocou. Me animei. Ultimamente eu ando tão derrubada que até o carinha do Santander me deixa contente.  Era um amigo . Queria um favor. Dois, aliás. Tudo bem! No final ele mandou qualquer coisa assim: “Queria muito retribuir isso que você está fazendo por mim, me diz do que que você gosta”.
Me enchi de falsos pudores e tasquei aquela de que não precisa...

Dirigi mais um pouquinho. Verde, vermelho, verde, vermelho e parada em frente a uma loja de material de construção, percebi que não sabia do que gostava. Não sabia dizer. Mas, por outro lado, sou a campeã em enumerar, em qualquer ordem, coisas que eu odeio, detesto, tenho pavor, não gosto.

Ai que amargura! Estou me tornando uma daquelas pessoas, sabe? Daquelas... Um horror. Será que eu não gosto de nada? Que que foi, fiquei oca para as coisas do prazer? Não gosto de nadinha?

Passei o dia com isso na cabeça e quando cheguei em casa, inconformada, fui tratando de me reconhecer como adoradora das coisas simples, simplesinhas. A surpresa? A lista não acaba mais... eu amo amar as coisas! Adoro sentir o prazer das coisas bobas, fáceis, diárias.

Preste atenção. Faça a sua lista também. Eu empresto um pedaço da minha, como ponto de partida. Boa sorte, boa vida!

Pequena lista de coisas que eu gosto (por ordem de lembrança):

banho de mar
banho de chuveiro
uísque na praia
bilhetinho da Lívia
viagem de volta
pontualidade
bom humor
rum
lavar as mãos
flores
ar fresquinho
deitar na cama com lençóis bem limpinhos
leveza
Dé de bom humor
dinheiro
sapato novo
sapato velho
declarações de amor
almoço de sábado
ler poesia em voz alta
ficar em silêncio
lavar o banheiro
tomar sol no inverno
ficar quentinha na cama com os pés pra fora da coberta
cachorro
petiscos
tirar os sapatos quando chego em casa
tirar cravos
cheirinho de lavanda
chá gelado
cantar enquanto estou dirigindo
plantar bananeira na água