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domingo, 5 de outubro de 2014

democracia

nunca falo pra quem vou votar. não gosto. 
não gosto porque não há muito respeito dos panfletários de plantão, os que vestem espontaneamente um partido e repudiam qualquer direito ou pensamento alheio. os fanáticos da corte não dão espaço para conversa, para entendimento, para troca de ideias. nem para expressar o que a própria bandeira pensa, quer, projeta - muitas vezes nem sabem, estão no coro de que o deles é melhor e pronto. 
nessa conversa rasa de bar, em que o facciosismo vale mais que informação, não é possível a livre expressão. tenho ouvidos para tudo o que me dizem, por mais espantoso que me seja, mas não fabrico palavras para tratar de minhas preferências. 

hoje, envolvida pelas conversas das ruas, me deu vontade de dizer em quem não votarei - o que quase é a mesma coisa de dizer em quem votarei. 

não votarei no Eduardo Jorge. e não votarei com pesar, com entristecimento, com grande dificuldade. o elegi meu candidato. nem curto muito o seu PV - o programa que li é vago, generalista, dono de palavras repetidas e de causas de pouca expressão na ordem prática; não 100%, claro, há coisas que concordo, admiro e torço pela realização com qualquer partido que suba a rampa, porque é ponto comum entre todos. 
apesar do PV, votaria em Eduardo Jorge se os tempos fossem outros. no futuro, quem sabe. 

as vezes a democracia é difícil. é preciso dar ouvidos às pesquisas e saber compreendê-las, levá-las em consideração. há aquela já velha e ecoante mensagem de que todo voto tem o mesmo peso e que ele deve ser tratado de forma autônoma. não. o meu voto tem peso diferente do do Chico Buarque ou da Regina Duarte ou do Lula ou do FHC, quando um deles diz em quem vai votar, carrega junto uma legião de teclas "confirma", confie, conforme. 
por isso, é preciso avaliar. 

não votarei em Eduardo Jorge porque sei, sem ingenuidade, que ele não vencerá. não se trata da leviandade de votar em quem se eleja; a questão aqui é que minha opção seja menos um voto que combata quem eu não quero como presidente. meu pensamento sobre nossa democracia hoje não me deixa nem tentar fazer que meu candidato se torne mais forte. já seria grande coisa que ele tivesse expressão nas urnas e assim sua voz política seria mais alta e poderosa. mas o caso não é esse. sei bem quem eu não quero. e esse pensamento agora é soberano, exercerei o direito de não contribuir para sua eleição e minha única saída, me parece, será votar em seu adversário. 

Eduardo Jorge, admiro-o, reconheço-o, torço por seus bons pensamentos, estudos, avaliações; meu voto de direito é seu, mas o de fato é de outro. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

laranja madura, na beira da estrada, ta bichada ou tem marimbondo no pé



Ah! A Copa do Mundo no Brasil foi/é coisa belezinha... Me proporcionou momentos tão bacanas!
Desde menina fico louca na época do campeonato, quero ver tudo, saber de tudo, ouvir todas as opiniões, palpitar, assistir tudo que posso. Os comerciais são mais bonitos, as ruas ficam enfeitadas, as pessoas dispostas e os taxistas muito mais técnicos nas conversas. O país se exibe em maravilhas.
Torcedores brasileiros sempre falam em derrota, em merecimento de derrota e depois, vesgos, em frente à TV, se descabelam. Amor e ódio. Razão e emoção. Um milhão de bobagens, de contradições e absurdos. É bom quando a gente se permite...

Mas dessa vez, tudo foi tão diferente... Foi muito diferente! A começar pelo “não vai ter Copa”, passando pelo “imagine na Copa” e por fim, “esse time não serve pra nada”.
Ora bolas!, teve Copa, foi bacana e esse time serviu para nos esclarecer várias coisas. Não falarei aqui sobre tudo que está exposto nos programas esportivos sem-fim que rolam por aí, a falar do tosco do Scolari, do Marin, de teimosia, de grana, de combinações, acertos e falcatruas.

O nosso ópio tem papel importante e se nos distrai da realidade, é só porque ninguém consegue viver afundado o tempo todo em problemas cotidianos.

Um instante, maestro! O circo também tem valor!

Pessoalmente, a Copa me deu mais alguns cabelos brancos e rugas, boas risadas, grandes encontros, conversas prazerosas, leituras divertidas, bom humor, mau humor, apatia, reflexões, informações sobre outros países, informações sobre o Brasil.

O que veio para o coletivo, sobre robalheira, desvio de grana, condutas duvidosas, revoltas sobre como as coisas são feitas por aqui, não se apaga agora, é o jogo novo que está começando e faz parte da vida cidadã, fincar os pés na realidade e avaliar tudo isso. O momento para isso é exatamente esse.

Pode ser que só o recorde sete a um tenha o poder de dar pesos e medidas no tanto de distração que precisamos para enfrentar o que temos que decidir agora. Desabar na realidade, como disse a Iara Teixeira, tem lá sua utilidade...
Sem o alucinógeno não há máscara nem ilusão: há muita gente que depende de um jogo sério e bem pensado - e não é de futebol que estou a falar agora. 


quinta-feira, 27 de março de 2014

...

- o que você está fazendo, Adriana?

- me preparando para as próximas eleições.

- ah! você é candidata?

- não, sou mais importante. sou eleitora!!!