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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

do amor que não se repete - e se repete sempre.


Eu tive muitas mães na minha infância. Uma rua inteirinha de mães que me chamavam pelo nome, pelo apelido, pelo sobrenome, pelo nome dos meus irmãos, dos meus colegas, me chamavam por a filha da Reny, a filha do Paulo.

As mães da minha infância eram minhas e de toda a rua. Brincávamos livres: bola, bicicleta, rolimã, bets, conversinhas, esconde-esconde. E todos obedecíamos em uníssono ao toque de recolher da primeira que chegava à janela e anunciava o relógio, o fim da zoeira. Desmontávamos cenários, carregávamos objetos e seguíamos... cada um para a própria casa, a obedecer a própria mãe que tinha ordem igual a qualquer outra: banho, jantar, dentes e cama.  

O nosso respeito era igualzinho para todas. Cada uma tinha total autoridade sobre nós. As ordens pareciam vassouras gigantes que empurravam toda gurizada de um único jeito. Fomos, na rua da minha infância, todos criados iguais. E quando um assunto grave era denunciado, uma perna quebrada no futebol, um bêbado rondando a rua, um vidro estilhaçado por bola, as mães logo se reuniam para discutir providências e anunciar nosso novo modus operandi.

Cresci. Crescemos. Cada um buscou a própria vida.

Hoje sou mãe de um casal. E tenho muitos outros filhos e filhas. Não há mais brincadeira na rua, mas nas primeiras horas do meu mais velho, eu e todas as mães organizávamos a bagunça no condomínio e cabia a cada uma de nós, e a todas, zelar pelo bem estar da turminha. As preocupações maternas se estendiam por todos aqueles que tinham altura parecida com a do Dé. Quanta preocupação com todos eles...
As amigas da Lívia viraram minhas filhas e sempre estou a pensar nelas também, no presente, no futuro, a desejar que a vida lhes seja boa e a tratar de conselhos e falas quando necessário.

Melhor é saber que os meus filhos também tiveram e têm muitas mães. O Dé já tem idade suficiente para não precisar dessas batutas, mas a Lívia ainda dança conforme nossa música. E hoje, quando preciso de cuidado especial, fora do meu controle, passo a mão no telefone e converso com a mãe substituta a entregar a cria com a certeza dos mesmos cuidados.

Mãe só tem uma e todas são iguais e são mães de todos...


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

un caballero de fina estampa...


Filho,

Já aconteceu muita coisa em nossa incomum vida em comum:

futebol, espera por sol, basquetebol
hospital, mau humor matinal, temporal
drama, falta de grana, organograma
bar, banho de mar, troca de par
almoço no carro, tiração de sarro, peito com catarro
fratura, aventura, criadora e criatura
descoberta de lugares, vestibulares, compras em bazares
faxina, rotina, comercial de margarina
desminto, distinto, labirinto
briga, invasão de formiga, mastiga
maracanã, você vai ter uma irmã, bambambã
bebida, partida, dura despedida
escola, gaiola, "mãe, tô com catapora"
dificuldade, amizade, entrou na faculdade
polvilho, brilho, mãe e filho!

Essa empilhação é grão de areia de nossa vida juntos. Você já parou pra pensar que eu sou a pessoa que você conhece há mais tempo nesse mundo? Obrigada pela companhia até aqui, tudo tem sido muito divertido!

Dé,
Eu não tenho vontade de repetir o que já tantas vezes foi dito sobre o filho maravilhoso que você é, embora goste muito de quando você me traz água de madrugada, quando guarda o carro, de como cuida da sua irmã, das suas notas absolutas na faculdade, da sua voltinha diária com o cão, da sua preocupação conosco (precisa melhorar um pouco o quesito lavar a louça e arrumar o quarto, mas isso é outra história...).
Hoje, você assim, crescido, barba na cara, próprias decisões, a maioridade, tenho vontade de ficar horas e horas a tratar da pessoa…
Você é um rapaz inteligente, bom de papo, conhecedor de coisas, interessado em diversos assuntos e vidas, não conhece as verdades absolutas, tem coragem para refazer planos e seguir sua caminhada, trata com cuidado e respeito as pessoas…
Eu tenho sorte, suas irmãs têm sorte, a Jéssica tem sorte, seus amigos têm sorte. O mundo tem sorte porque debaixo do céu e por cima da terra, há você a emprestar as coisas que sabe e a procurar outras para preparar um tempo melhor para todos nós!

Dé, que você continue a fazer sua colheita e semeadura dessa maneira tão leve e tão cheia de beleza.
Feliz ano novo, aproveite e se divirta.
Só vai...   

Um pouco de você aqui, aqui, aqui e aqui - veja, são belezas de outros momentos...




terça-feira, 8 de outubro de 2013

te sinto mais bela...


Filha,

Eu já escrevi mil vezes para você: bilhetes, cartinhas, emails, mensagens, posts no Facebook, no blog. Já fiz versinho, declarações infinitas, afirmações de amor, de respeito, de admiração.

Eu já tirei um milhão de fotos: da sua fofura de neném, dos seus sorrisinhos de criança, de seu olhar de menina e, recentemente, de suas poses de moça.

Eu já senti orgulho de tanta coisa: da primeira música que você aprendeu a cantar “Corra e olhe o céu, bom dia!”; dos versinhos iniciais que você recitou “Ou isso ou aquilo”; da sua primeira vez no palco (logo em solo, logo no Guairão); da sua primeira vez na tela (logo de protagonista, logo no cartaz); dos seus boletins; de suas soluções, de suas vontades, de sua coragem, de sua independência...

Eu já agradeci a você, aos céus.

Sempre digo que se não fosse sua mãe, queria ser sua amiga, sua colega, sua tia, sua vizinha, sua madrinha... de alguma maneira ter você em minha vida e poder fazer parte da sua!
Porque eu adoro o seu humor ligeiro, sua inteligência nas respostas, seu olhar sensível, suas ironias precisas, suas perguntas intimidadoras. Eu adoro cada pedacinho seu e adoro tudo junto, a formar uma pessoa cheia de atitude, de dignidade, de bondade.

Acho o seu cabelo lindo, admiro sua habilidade com as emendas femininas (maquiagem, unhas, etc.), gosto muitíssimo do jeito que você escreve e descreve.

Você sempre será minha filhinha, minha borboletinha, meu pedacinho de céu, meu olhar de estrela.  

Que nesse próximo ano você continue a reconhecer o bom da vida que se espalha ao seu redor, a ser puxado feito imã pela maravilha que você é!

Feliz aniversário!


(olha você aqui, aqui, aqui, aqui e aqui!)


1. grávida de cinco meses / 2. é uma menina! / 3. a brincar
4. muito amor / 5. reflexões / 6. com o cão
7. marrenta! / 8. operária em construção / 9. guria linda!

sábado, 11 de maio de 2013

ponte de riquezas

Filha, Filho,

Os acontecimentos mais importantes da minha vida têm relação direta com vocês. 
Todos os dias, todos!, eu os observo em sigilo. E vou trazendo para minha vida as lições que aprendo com vocês. O nosso amor é ponte, que leva e traz coisas. De todos tipos, todas as cores, todos os sentidos.

É privilégio dos maiores sentir o amor no grau mais alto, mais puro, mais libertador... Ter na vida um amor maior que a própria vida! As mães sentem isso.

Mas eu, eu tenho mais. Tenho vocês dois como filhos, que são pessoas muito interessantes, cada um do seu jeito, cada qual com suas especialidades. Não há sorte maior! 
Não tenho crenças, mas até chego a rezar para agradecer a beleza de ser mãe de pessoas tão bacanas. 

Braço de ouro vale dez milhões!

É impressionante como o jogo mudou e hoje eu encontro em vocês amparo, conselho, ajuda, proteção e mais uma penca de coisas que até pouco tempo era ainda via de mão única. 



Lívia, você me concede, diariamente, bom humor, inteligência, transparência, beleza, carinho. Sentidos abertos para a leveza!



Dé, todos os dias você me emociona, me alerta, me acalma, me intriga, me coloca em debates. Mente atenta para as mais profundas reflexões! 




Vocês dois são complementares - duas vidas que dão sentido e completam a minha.

Não sei o que seria se não fosse mãe. Teria mais dinheiro, mais silêncio, mais tempo. Coisas que gosto e prezo. Mas me faltaria a maior experiência que uma mulher como eu pode ter. Me faltaria sentido, amor, pensamentos. Me faltaria luta, persistência. 
Seria árvore sem galhos, sem frutos, sem flores. 

O bom disso tudo, é que não acaba. Termina na hora de recomeçar!

Vocês carimbaram minha existência com o melhor que uma pessoa pode ter. E por isso, só por isso, a vida já vale todas as penas. 

Um grande beijo com todo meu agradecimento!







segunda-feira, 6 de maio de 2013

os grilos são astros


Filha,

Você é uma criaturinha tão incrível! Eu sei que já disse isso um milhão de vezes, mas me faz feliz reparar e repetir à exaustão: se eu não fosse sua mãe, queria ser sua colega de escola, sua amiga de conversas, sua companhia de shopping, sua vizinha ou qualquer outra coisa que permitisse estar bem perto de você e para desfrutar a maravilha de humor que você tem, sua precoce sensibilidade para as coisas do mundo e seu gatilho tão rápido...

Estar perto de você e observá-la me comove e me impulsiona, me orgulha e me acalma, me alegra e dá esperanças na humanidade.
O mundo precisa mesmo de pessoas como você!

Apesar de sempre lhe falar da minha admiração, gosto de escrever aqui no blog para que você perceba o tamanho do meu amor de outra forma, quietinha, aí, no silêncio do seu quarto...

Eu adoro isso aqui, dá uma olhadinha!

Um beijo, borboletinha

o narizinho mais lindo do mundo