terça-feira, 29 de maio de 2012

quem lê tanta notícia?


eu não assisto TV, não gosto de TV, me irrito com TV, desisti da TV. não tenho TV por assinatura, não tenho antena, não tenho tela plana, não tenho aparelho decente, não tenho esperanças.
não sinto falta alguma.

ligo a TV em dois únicos e raros momentos: 1. para ver alguma coisa em DVD e 2. para assistir ao “bom dia brasil”, quando me lembro.

pois bem, um dia desses vi a ilze scamparini falando sobre um terremoto no norte da itália. caçarola! e não é que a mulher tá igualzinha? tá certo que como a minha TV não tem antena, a imagem não é lá grande coisa, mas mesmo assim a mulher é uma loucura... a mesma voz, o mesmo cabelo, a mesma cara e, claro!, o mesmo papo.


ela é correspondente da globo na itália desde o tempo em que eu ainda acreditava na TV. fiquei pensando se estar perto do papa, proporciona esse milagre de mantê-la congelada no tempo, enxutaça, bonita, gostosona.


mas depois de muita matutação, eu descobri qual é o grande mistério. é óbvio! aquela não é a ilze de hoje. é a mesma ilze de antes, são tapes que a globo guardou e usa ano após ano, sem que a gente se dê conta... pode reparar. as notícias sempre, sempre, sempre são as mesmas:
-       uma onda de frio assola a europa...
-       a itália não vivia temperaturas tão altas desde...
-       um escândalo envolvendo a alta cúpula do poder político italiano...
-       foi sentido no centro do país um terremoto de magnitude...
-       o papa se pronunciou pela primeira vez sobre o acordo internacional...

como desde sempre as notícias são as mesmas, eu fiquei curiosa, o que será que a ilze scamparini deve estar fazendo e como será que ela está de verdade?
acho que começarei um movimento "apareça ilze".  

segunda-feira, 21 de maio de 2012

eu fui assaltada de novo!



Nessa semana roubaram o rádio do meu carro e alguns pertences mais, incluindo uma meia dúzia de CDs, alguns livros, brinquedos e roupas. O curioso da história é que o ladrãozinho escolheu os discos, os livros e tudo mais que achou que devia levar. Descobri que ele tem preferências: não gosta de Bach, nem do Jaime Álem; deve vestir manequim parecido com o meu, porque levou os casacos; dos meus brinquedos, alguns achou interessante, outros nem tanto; não planeja ir à praia tão cedo, porque meu chapéu, a canga e toalhas ficaram; o gosto literário gira em torno de biografias; tem consideração, deixou os documentos; é fã do Luis Melodia; odeia Marisa Monte e Red Hot e tem muito frio nos pés (lá se foram minhas meias coloridas...). Ele não chegou prevenido ao local do crime, porque teve que esvaziar minha sacolinha de lixo para carregar os pertences. E a essa altura deve saber uma coisinha ou outra sobre Roberto Campos, Mohamed Ali, Sérgio Cabral (o pai) e Capistrano de Abreu – tinha uns textos avulsos deles numa pastinha, que ele resolveu levar... 

Sujeito filho da puta, mas cheio de traços de personalidade...

domingo, 20 de maio de 2012

a casa na árvore própria


se as pessoas que conheço morassem numa árvore, a casa delas seria assim:


- a do jopz, com ares de mistério:

- a da gabys, de boneca:

- a da minha irmã, muito chique:
                                          
- a do alex, super nerd:

- a do carlos alberto, com um anexo para visitas com crianças:

- a minha, bem perto do chão e vendo as estrelas:

- a da san, com poucas escadas, para não judiar dos joelhos:
                                          
                                          
- a do dé, com cúpula e wireless:
                                          
- a da amaranta, ultra hippie:

- a da lívia, longe da floresta:

- a da luluzinha, mística:

                                                         
- da bea, porque ela é sonâmbula:

- a da denise, sofisticada:

- a do joa, cheia de masterizações:

- a da carla, bem perto do mar:





sexta-feira, 18 de maio de 2012

o velho e rude bretão

eu não sou uma pessoa de futebol. não entendo patavinas. mas gosto. gosto de ver um joguinho ou outro na tv, amo ir ao campo - sinto saudade de um tempo em que sempre ia... 
não tenho time. apenas preferências que mudam ao sabor do momento. 


nessa semana morri de rir com o post da nervosa tripudiando sua vitória verde e branca. 


aí me lembrei desse outro vídeo, que também é muito, muito, muito engraçado. 
há muitos anos meu amigo luca rischbieter me mostrou isso, mas estava longe da minha memória... 





terça-feira, 15 de maio de 2012

tudo ao mesmo tempo agora


Ele segurou minha mão, me olhou nos olhos, bem no fundo, e falou sem dizer palavra. Sabia o que ele estava pensando. Sentia. Não soltei sua mão, não tirei os olhos dele, não arredei pé. A eternidade da espera pela ambulância nos fez entender um pouco mais sobre amizade, amor, solidariedade, valor, vida e morte.

O Felix Miranda, 74 anos, é ator, rádio-ator. Um cara muito legal! Cheio de delicadeza, educação, preocupação, sabedoria. Há muitos anos treinamos um trabalho juntos. Agora, conseguimos colocar em prática: estamos preparando rádio-novelas para AM. Conseguimos um elenco da FAP e estamos tratando disso. 
No sábado fizemos programa de auditório e, pela segunda vez, ele subiu ao palco para, aos moldes do passado, fazer o comercial da rádio. Bem bacaninha os reclames assim... Mas depois do espetáculo, quando ele foi se despedir de mim, colocou a mão no peito, encolheu-se, apertou os olhos, suspirou e me disse que sentia muita dor.
Ele teve um pequeno enfarte. Agora está tudo bem. Foi coisa pouca, porque nem a maldição de um enfarte tem coragem para agredir de verdade o coração de um homem tão bom quanto o Felix Miranda.

Foi um susto horroroso.

As vezes penso que eu sou a pessoa que mais vive emoções e ou situações diferentes num único dia. No sábado passei por: 
-       notícia de assalto na casa de uma grande amiga
-       super faxina na minha casa
-       almoço inesperado com Leyna (em quem sempre penso e pouco vejo)
-       direção em círculos atrás de um endereço impossível
-       sucesso total no programa de auditório sobre Cartola
-       enfarte do Felix
-       desabamento de emoções em cima da Bea
-       preocupação com a carteira perdida do Silvio
-       café com a minha querida Carla
-       análise por telefone, em conversa interminável com a terapeuta (e nesse capítulo, muitas coisas apareceram) 
      
      É mole ou quer mais?

domingo, 6 de maio de 2012

penso, logo desisto



Matutando sobre minhas dificuldades em encontrar tempo e ânimo, vontade e decisão, força e coragem para enfrentar os acontecimentos mais recentes da minha vida, resolvi que melhor é colocar o barquinho na água e deixar o rio me levar. Afinal, nem depende de mim todas as decisões que acho que são minhas. 
Que existência essa minha! Resumida em desistência...

sábado, 5 de maio de 2012

um corisco no caos


O pessoal do meu antigo trabalho me ligou nessa semana para eu fazer um servicinho por lá. Fiquei bem feliz. Primeiro porque é legal saber que as pessoas ainda precisam da gente. E também porque uma graninha extra, nesses tempos em que estranhamente minhas contas se multiplicaram, cai bem.

Pois muito bem, parei, sorridente, em frente ao computador e fiz o que sempre faço: nada. Um nadinha aqui, outro ali... Navegação vaga e boba para distrair pensamentos. E me arrastando interneticamente por endereços repetitivos e entulhados de coisas, notícias, informações e besteiras, encontrei isso aqui: Olhos de vidro: Uma arte em declínio?

Caraca! Fiquei pensando nos mais diferentes trabalhos inventados para que o homem encontre seu sustento, seu passar a vida, seu distrair das questões ou seja lá o que for que representa, de verdade, o trabalho para cada um.

E esse pensamento me carregou para uma cadeia de inquietações de coisas que preciso na minha vida e para as quais gostaria muitíssimo de ter profissional habilitado para tratar:
-       a troca das lâmpadas da minha casa (eu detesto quando uma lâmpada queima. Se uma pessoa fosse especialista em saber, exatamente, o tempo da vida útil das fontes de cada cômodo da minha casa, com suas particularidades, poderia se antecipar em horas na troca e, sem desperdício, teria sempre uma casinha lindamente iluminada sem me irritar tanto com a tarefa – em termos chiques poderia ser um exchanger lamps personal).
-       a organização dos tupperwares no armário (sonho em abrir a porta do armário que fica em cima da mesa da cozinha durante três dias seguidos sem ser atingida na cabeça por uma tampa ou um pote ou um medidor ou qualquer outro objeto indisciplinado que quando vê a luz da liberdade resolve pular pra fora, sem dó nem piedade de quem está na frente. Por mais que dedique horas nessa organização, em pouquíssimo tempo a confusão está formada de novo – alguém conhece algum organizer tupperware?). 
-       a luz do abajour do meu quarto (eu não gosto de dormir no escuro, nem com luz. Se a luz está apagada, não consigo dormir. Se a deixo acesa, ela acaba atrapalhando o meu sono e acordo de madrugada para apaga-la, mas apagando-a, não consigo dormir e o círculo vicioso se instala. Bom seria que alguém sempre apagasse a luz depois que eu dormisse e pronto).
-       do outro pé de meia (as meias da minha casa acabam se tornando solitárias, infelizes, sofrem pela falta de seu par. Eu não descobri em qual situação o casal se separa, só sei que me dá coceira quando puxo o par e só vem um pé. Se alguém se encarregasse de cuidar, de andar de mãos dadas com os dois pés de meia quando elas saíssem dos meus pisantes, tudo seria mais fácil).
-       da minha caixa de e-mails (recebo, mais ou menos, uns 70 e-mails por dia. Metade deles, de propaganda, venda de alguma coisa, ofertas e afins o que não significa que não quero saber, porque vai que tem alguma coisa que interessa. Uma boa parte é de trabalho, compromissos profissionais, providências urgentes, que eu tenho que responder com concentração e muito siso. E outro pedaço é de coisas pessoais, que, normalmente, me alegram e me colocam em contato com pessoas que gosto. Tudo isso toma um tempo danado e eu não consigo delegar pra ninguém porque ainda não encontrei um profissional qualificado, capaz de fazer a triagem como se fosse eu e de entender os pormenores das correspondências e de minhas necessidades, obrigações e deleites diante delas).  
-       das plantas da sala (eu adoro plantas, muitas plantas, amo a casa abarrotada de folhagens e flores e mini-árvores e ervas para cozinha. Mas não sei cuidar. Ouvi um dia desses a frase “se existisse a sociedade protetora dos vegetais, você estaria em cana”. Um jardineiro? Não. Não é esse tipo de tratamento. É algo diferente, quero alguém que deixe meus vasos do meu jeito e não que os transformem em arranjos pedantes como os de recepções bregas de casamento. Queria uma coisinha simples, do tipo feito em casa, feito por mim, mas que sobrevivesse à rotina doméstica de uma casa que tem milhões de outras coisas a dar atenção. As flores de plástico não morrem, mas não vivem também, então não dá).
-       dos CDs (eu tenho alguns CDs em casa. Não muitos, comparando com outras épocas da minha vida, mas mesmo assim, apesar do pouco número, tenho alguma dificuldade em encontrar um ou outro na disposição atual. Já os organizei por ordem alfabética – não deu certo porque cada novo volume exigia um esforço de espaço; um disco novo do Paulo Moura e lá ia eu mudar tudo que vem depois do P um pouquinho pra direita. Depois tentei por estilos – outro erro; vamos continuar com o Paulo Moura como exemplo, um CD do clarinetista poderia ocupar as categorias “instrumental”, “choro”, “samba”, “choro instrumental”, “samba instrumental”, “duetos”, “quartetos”, “clarinetes”, “quartetos nacionais” e por aí vai. Aí me falaram pra arrumar cronologicamente, putz!, grande erro; minha discoteca tem uma preferência pelos anos 60 e um grande buraco na década de 80, por exemplo. Tentei pela cronologia dos artistas, quem nasceu antes fica primeiro, o que é muito mais confuso e irritante, como que Terence Trent D’arby pode ficar perto de Na Ozzetti só porque tem idade parecida? Não dá. Alguém precisaria arrumar isso pra mim de acordo com a minha cabeça, e as associações que estão dentro dela, para que eu pudesse encontrar de bate-pronto cada disco).     
  
Uma ou duas pessoas resolveriam tudo isso? Claro que não! Eu quero tratamento exclusivo para cada tarefa, para garantir a especificidade da função e o alcance do objetivo sem desassossego ou imperfeições ou reparações ou atrasos ou explicações.

Como sei que não encontrarei profissionais assim, e se achar não poderei pagar pelo quadro completo de funcionários que me tirariam do caos e só apareceriam quando precisasse deles, vou vivendo com minhas dificuldades cotidianas...  

terça-feira, 1 de maio de 2012

até que nem tanto esotérico assim





Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões
Todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível
Meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar
Nem ficar tão apaixonada, que nada!
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim

domingo, 29 de abril de 2012

guria muito, muito, muito bacana


A minha Lívia tem 11 anos, ela adora algumas coisas que eu não gosto, mas ama outras que eu curto. Nos nossos pontos em comum, no que dividimos com muito prazer e sem nenhum esforço, estão:

Ver, cantar e dançar junto com Kelly na chuva




 Olhar só por olhar discos que não vamos comprar



Se entupir de comida japonesa no almoço de sábado



Ver filhotinhos e ficar fazendo comentários sobre a personalidade de cada um



Escrever e receber bilhetinhos de amor



Assistir num só fôlego "E O Vento Levou"



Fazer citações que só nós entendemos

- Oscar Peterson
- Rasguei lá do livro da biblioteca
- Senhorita Scarlett, Senhorita Scarlett
- Pesou o clima


Observar atentamente detalhes do mundo, das pessoas, das conversas




Procurar Nemo pela 456 vez



Nos reconhecer em Lorelai e Rory



Passar tempo juntas



sábado, 28 de abril de 2012

rimas populares - variação sobre o mesmo tema

à moda de vinícius:


Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
(...)

É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
(...)
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
(...)

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.





o chico:



Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

segundo drummond:


É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama tempo... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada.





no soneto de camões:


Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É um cuidar que se ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?


quinta-feira, 26 de abril de 2012

entre l'urgence et l'importance


Eu estava tentando escrever um post sobre o que é urgente e o que é importante.
Percebi que a maioria das coisas que orbitam a minha vida são urgentes e só algumas importantes de fato.
Fiquei super frustrada, parece que estou perdendo tempo com banalidades que depois de amanhã já terão passado e o que é sério mesmo está ficando em segundo plano.
Como resolver?
Vamos lá, São Pixinguinha, uma luz nesse momento!

domingo, 22 de abril de 2012

512 anos


no seu dentro da baleia, meu filho escreveu assim: 


Alô, Alô W Brasil, Jack Soul Brasileiro do tempero, do batuque, do truque, do picadeiro quero Notícias do Brasil que não é só litoral, é muito mais que qualquer zona sul, é branco, é preto, é mestiço, é Brasil Pandeiro. Na verdade o Brasil o que será? Qual a cara da cara da nação? Eu quero saber Brasil, mostra a tua cara. Brasil é torto igual Garrincha e Aleijadinho que não precisa consertar. Brasil, pra mim, pra mim, pra mim. Aí na terra ainda jogam muito futebol? Muito samba, choro e o rock'n roll? Uns dia chove, eu sei. Mas em outros bate o sol da liberdade em raios fúlgidos. Brasil é um sonho intenso. Ó pátria amada. É um País Tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. Quando voltar, não quero ouvir que estou europeizado, pois na hora da comida, enquanto houver Brasil, eu sou do camarão ensopadinho com chuchu. Esse canto que devia ser um canto de alegria soa apenas como um soluçar de dor.
Bye, bye Brasil, a última ficha caiu. Para todo o povo brasileiro Aquele Abraço!


e eu adorei!!!
mas, amargurada, respondi assim:


Canta Brasil!
Viva a bossa, viva a mulata, a farofa e a cachaça! Você que está aí, fazendo o papel de português desbravador, descobridor, cuidado! Você é apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco e o Brazil não conhece o Brasil. Tudo é belo e tem lindo matiz; sim, minha voz eternecida já dourou os seus brasões, porque todos acreditam no futuro da nação... mas como esse é o país da contradição, eu posso vender... deixe algum sinal!
Na beleza deste céu, onde o azul é mais azul, minha glória a todas as lutas inglórias, como a de Iracema que voou para América, ou daquele que ficou vagando pelas ruas de Londres, ou, ainda, as avessas como o antropólogo Claude Levy-Strauss que detestou os ricos que moram na praia e os diamantes que rolam pelo chão.  
No céu, no mar, na terra, nós não vamos pagar nada... afinal, quem pode morrer pela pátria e viver sem razão? 
Chame o ladrão!!!






sábado, 21 de abril de 2012

ridículo!


Eu estava tentando pegar um taxi. Só isso. Primeiro liguei: musiquinha, musiquinha, musiquinha, gravação “não desligue, logo iremos atende-lo”, musiquinha, musiquinha, musiquinha, gravação. Persisti e comecei de novo. E o ciclo se repetiu. Bati o telefone e tentei outra combinação. Adivinhe? Musiquinha, musiquinha...

Desisti.

Fui para rua. Saí caminhando desembestada, cega de raiva, o relógio correndo e a pressa me atormentando.

Andei 7 (sete!) quadras, com a bolsa pesada no ombro, duas sacolas nas mãos e alguns respingos de uma chuva idiota que queria cair, mas estava fazendo corpo mole.

Cansei.

Na quadra da frente, dois carros laranjados, portas quadriculadas, luminoso no teto. Andei mais cem metros. Entrei no primeiro.

-       Boa tarde.
-       Boa tarde.
-       Pra onde?
-       Pra casa.

Voltei.    

lindo!

Pixinguinha e Louis Armstrong
Palácio do Catete, década de 50 

não há a menor necessidade de escrever...

3X4



Esta é minha Vânia.

Ela é minha amiga desde o primeiro minuto que a vi! Amor à primeira vista. Lembro-a com sua camiseta roxa com os desenhos da Lapa, seu sotaque leve, carioca, olhar curioso e sorriso fácil. Fui aplicar uma espécie de teste para que me substituísse num trabalho que eu gostava de fazer e tinha muito ciúme. Minha petulância, cravejada de arrogância, me fazia acreditar que ninguém poderia me substituir; mas em dois minutos de conversa, pisquei para o chefe e tive a certeza, “é ela, encontramos!”. Ele não duvidou.

O tempo foi passando e três dias depois já éramos amigas de infância. Quando fui à sua casa pela primeira vez, descobri, sem surpresa, que tínhamos objetos de decoração incomuns e em comum.

Ela foi eleita madrinha de minha filha; passou a fazer parte das minhas duas famílias (da de casa e da do trabalho); com muita facilidade se tornou amiga dos meus amigos.

Criamos uma tradição de jantares que durou muitas quintas-feiras. Fizemos compras sufocantes de Natal juntas. Dividimos segredos e nas enfermidades e horas malsãs aqui de casa, sempre me emprestou, generosa e preocupada, o seu pediatra de plantão. 

Vânia é o que, em língua portuguesa, chamamos de “palavra-ônibus”, porque ela é divertida, inteligente, generosa, bacana, sacana, maneira, simpática, formidável. Tranchã!

Ela é mãe da Laura, da pequena Laurinha, que amo como se fosse minha, mas que procuro ficar a uma distancia segura para não torrar a família.

E, ainda por cima, ela é casada com o Fábio, a melhor alma que já conheci. Mas esse, é outro retrato...