Estou a pensar em Lina, uma das pessoas mais
sensíveis que já conheci.
Frágil, bela, rara feito porcelana de
importante dinastia, ela carrega também o contraditório de ser tudo isso e ser
mais: guerreira, forte, indestrutível, feito diamante que não se deixa riscar
por nada.
Lina me deu o presente mais importante que
alguém pode nesse reino de cá: o amor da amizade.
E porque ela é ela, trouxe junto com esse
pote de ouro suas tão deliciosas características:
- o humor diferente, ácido, que revela sem
dizer e expõe as ridicularias humanas de um jeito divertido;
- a observação do mundo à sua volta, de
coisas que ela percebe porque tem os sentidos abertos e a antena sempre a
funcionar em todas as sintonias;
- a revelação do humano, desde o caminhar de
uma mocinha da cidade até o sono rendido de quem tem marquise como casa;
- a descortinação da cidade, porque ela sabe
de nossa província e seus personagens anônimos e mais importantes que qualquer
um com nome conhecido, ela sabe quem é que faz, de verdade, o mundo girar;
- o fazer conhecer as árvores, flores,
paisagens, telhados, placas, muros, faixas, monumentos, todo e qualquer fio que
tece esse grande tapete em que pisamos, pisamos e pisamos todos os dias, e que
muitas vezes precisamos dela para saber, para ver;
- a delicadeza de contar coisas boas sobre
nós, a generosidade de aumentar nossas qualidades e a compaixão de justificar
nossas baldas.
Lina, nada objetiva, cheia de conversas, de
caminhos, de paixões, de olhares. Ela, que agora é avó, continua menina, parece
borboleta que acaba de sair do casulo e se espanta com o mundo.
É muito bom ter a chance do convívio com alguém
que não perdeu a espontaneidade do gesto e acorda com o olhar atento a tudo que
para muitos se tornou trivial.
Lina não é trivial, Lina é, todos os dias,
original – uma flor com mil pétalas de bem querer.
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| pra quem teve a sorte de conhecê-la aos 26. |
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| pra quem tem mais sorte e a conhece hoje. |

