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quarta-feira, 17 de abril de 2013

sempre por aqui


Poucas vozes me comovem tanto quanto a do Renato Braz. Já o vi mil vezes em show, ele só melhora. Todos os seus discos (aqui em casa em dobro, porque minha Lívia também os tem) estão escangalhados de tanto rodar, de tanto entrar e sair do carro, passear e voltar das casas dos amigos, ir e vir... 

Como se não bastasse ter essa voz e essa afinação toda, ele é ótima pessoa! Pai dedicado, amigo generoso, criatura bem humorada. Leve, bacana, bom sujeito. Decente!

Já escrevi sobre ele tantas vezes, que pode dar a impressão de não haver mais nada a ser dito – só escutado. Mas, eu sei, ainda não consegui arrumar as palavras de modo que fique claro o tanto que gosto dele e de sua arte.

Lembro da primeira vez que fui à sua casa (ele nem lembra, aposto), faz muito tempo, mais de década. Conversávamos uma groselha qualquer e de repente ele sacou o violão e cantou. Eu quietinha, sentada no sofá, nem chorar consegui. Acho que nem respirar eu respirei. 

Nos meus momentos de solidão, ele me acompanha de jeitos interessantes. As vezes me aumenta o sofrimento, as vezes alivia, as vezes traduz.

Faz alguns meses que não nos vemos. Tempo muito grande para a amizade e o bem querer, mas o trago aqui, bem aqui dentro: na lembrança dele cantando na sala da sua casa ou na maloqueirice dele deitado na rede da minha.

Ei, Braz, é muito bom tê-lo aqui!



Tentei postar videozinho lindo, mas não rolou. Então, olha link:

http://www.youtube.com/watch?v=FzP_lMtxyY0




sexta-feira, 15 de março de 2013

o bom da vida vai prosseguir


A primeira notícia que vi no jornal hoje cedinho dava conta do coma irreversível de Dominguinhos. 

Eu tive a sorte, a grande sorte, de conhecê-lo e de me tornar sua amiga e, mais que isso, de tê-lo como amigo. Muitas vezes o recebi em minha casa; tive a honra de dividir café da manhã, almoço e jantar; pude partilhá-lo com minha família; ouvi seus conselhos, sábios conselhos; palpitei em sua vida...


com minha mãe, em almoço surpresa para ele e para ela.

Domingos é uma pessoa muito importante pra mim! Desde a primeira hora de convívio sempre me acompanhou a sensação de que nunca mais ficaria sozinha em algum tropeço...  Ele já me tirou de frias, encrencas, dificuldades algumas vezes. 
De um jeito manso, doce e absolutamente surpreendente ele me ligava e com a voz sertaneja disparava:
- Adriana! O que está acontecendo? Me conte que dou jeito. 
Eu, do outro da linha, sempre fiquei chocada com essa capacidade. Nos meus desertos, ele me adivinhou muitas vezes e, boa parte delas, me ajudou só com a força de sua palavra, a coragem de pensamentos diferentes de uma cabeça livre e pronta pra tudo. Em outras, tratou de maneira prática minhas pendengas financeiras, minhas dificuldades cotidianas. 

É uma sorte muito grande ter alguém assim na vida! E o meu sentimento de amor e de gratidão por ele é uma das coisas mais bonitas e puras que mora dentro de mim. (Também é uma sorte muito grande poder sentir isso.) 


no tempo em que eu ainda tinha covinha...
Mesmo correndo o risco do post ficar imenso, quero muito contar uma história. 

Em 2011, o João Egashira me procurou com a ideia de que sua Orquestra à Base de Cordas e as rádios fizessem homenagem ao Domingos, que a TV gravasse DVD e que chamássemos algumas pessoas para assistir isso tudo. Pois bem, assim foi. 

A combinação dos músicos da Orquestra, mais as músicas de Domingos, mais seus músicos e mais o próprio empunhando a sanfona a cantar e tratar das belezas da alma, foi incrivelmente emocionante e comovente. 
Lá pelas tantas, depois de “De Volta pro Aconchego” eu tinha que entrar no palco, com flores, placa e discurso para surpreendê-lo. Mas eu estava tão emocionada com tudo que já tinha rolado até ali (outra hora eu conto), que já subi no palco muito emocionada e o que era pra ser uma homenagem da instituição, virou um testemunho pessoal sobre tudo que penso dele. Falei de tudo: amor, gratidão, respeito, bondade, generosidade, cuidado e até de sua música... Chorei. Ele chorou. Sabíamos bem. Quando voltei pro meu lugarzinho, ele começou a tocar uma música linda. Não uma que mostrava sua habilidade de sanfoneiro com dedos espertos e velozes, mas uma que revelava sua grande arte de melodista, de entendedor da alma. Uma valsa tão cheia de beleza, que eu e João ficamos quietos, ouvindo, chorando. Nenhum de nós conhecia, mas tinha uma coisa tão grande na música que dava vontade de ficar o resto da vida ouvindo-a. Quando acabou, ele revelou: “O nome dessa música é Adriana, eu acabei de fazer!”.

Hoje, o que sei, é que quero muito vê-lo, reencontrá-lo. Não acredito que o jornal esteja certo, que os médicos estejam certos... Eu acho que ele vai mesmo tratar de colocar em prática aquela coragem nordestina, aquela sobrevivência sertaneja, aquela teimosia de sanfoneiro e daqui a pouco pinta por aqui, com sorriso sincero, com abraço, proteção e tudo, tudo, tudo que compõe uma das maiores existências que conheço. 





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

uma pausa para o Paulinho


Logo que assumi a diretoria das rádios e-Paraná alguém falou que minha gestão seria um atraso para emissora porque eu sabia até a data de batismo do Paulinho da Viola. Que falha, a minha. Bem que gostaria, mas não sei. 

Eu amo o Paulinho da Viola. Adoro tudo: a voz, o jeito, as músicas, suas maneiras chiques, seu jeito educado, fino, requintado... tudo que conheci nele, gostei. Apesar de achar que ele deveria tocar em todas as rádios do país, não imponho aos programadores sua presença, mas ao seguirem as orientações artísticas da emissora, o Paulinho é naturalmente tocado...  


O dia hoje começou de um jeito muito, muito, muito bom. Acompanhe: na cabeceira direita da minha cama há um rádio sintonizado na Educativa FM, na esquerda, na AM. 

Pois bem, acordei cedinho e como de costume bati no rádio da direita pra ver se estava no ar, com boa transmissão, etc. Tudo certinho, som limpo, rolando Marisa Monte a cantar “Para Ver as Meninas”, do queridíssimo Paulinho. ouvi até o fim, porque adoro essa música e ela estava a soar tão bem naquele horário, naquele volume, daquele jeito. Me acomodei melhor e fiquei a pensar sobre “uma pausa de mil compassos / um samba sobre o infinito...”. 

Desliguei o radinho e girei o botão do outro aparelho, o da esquerda. AM em alto e bom som, a tocar o próprio Paulinho em “Coisas do Mundo, Minha Nega” (que, é claro, é uma das favoritas de todo mundo), agradeci a sorte e pensei que “as coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender”.

As rádios são bem diferentes, mas elas têm como ponto comum a qualidade da música e vez ou outra o que toca em uma passeia pela outra. Ô sorte! 

Que maravilha começar assim! Nem na Argentina, nem na Itália, nem no Uruguai... em lugar algum do mundo a gente tem Paulinho da Viola quando acorda! 

Para quem está longe ou não ligou o rádio cedinho, um Paulinho mais do que especial. 




quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

grande experiência!


Eu precisava comprar uma cadeira. Coisa simples, sem estofamento, sem cor, sem truques, sem voltas. Cadeira daquele tipo que antigamente se usava de par com as maravilhosas e úteis e belas escrivaninhas. 

Pois bem, sem grana e com a tarefa a ser vencida, fui ao centro velho ali pelas imediações do Paço da Liberdade: comércio super popular, brechós, bares, biroscas, putas. 

O carro? No estacionamento. E lá aconteceu a primeira surpresa do dia, big surprise, como diria N Pessoa. O carro que estava na minha frente era um desses de oito metros de altura, utilitário importado, super chique e poderoso; quando embicado o manobrista fez sinal que não, ordenou meia-volta e fechou a cara. Pensei que o lugar estivesse lotado, mas ele me acenou para entrar e fiz a manobra. Na placa dizia: “apenas carros pequenos e médios” e uma liçãozinha de moral implícita sobre os novos ricos que entopem as ruas da cidade com suas jamantas. Fui ao delírio!

A andar apressada, ocupando meu horário de almoço, na ida achei ter ouvido, numa dessas lojas populares, numa dessas caixas de som de lojas populares, a guitarra de um amigo, do Maurílio Ribeiro. Tem gente que ouve vozes, eu as vezes ouço música - e como isso é relativamente comum comigo, segui.

Escolhi cadeira, pechinchei, troquei de modelo, paguei, carreguei e voltei. 

Novamente em frente à caixa de som, ouvi “Que reste-t-il de nos amors”. Fiquei por ali, dando um tempo para matar a charada.
Quando a música acabou, entendi. Uma das ruas mais populares da cidade, numa das lojas mais populares da região, em que o forte de dia é a venda de móveis furrecas e de noite o crack, lá, no meio de tudo isso, a rádio Educativa fica ligada durante o dia, “porque o chefe da gente manda e a gente gosta”.

Carros grandes não têm vez e a música é a melhor possível. O mundo tem salvação!

97.1FM
www.rtve.pr.gov.br
www.facebook.com/radioeparana

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

gabarito&explicações

Como expliquei no post anterior, e no post anterior ao anterior, o que aqui eu chamo de “Qual É a Música?”, é parte de um trabalho muito bacana iniciado lá na tecnologia educacional da Positivo Informática, chamado “Pitadas de MPB”, que ficava dentro de algo maior chamado “Um Gostinho de MPB”, que ficava dentro de algo maior ainda chamado “Central de Projetos” (vou parar porque Positivo é uma empresa muito grande). 

Pois bem, o Noel Rosa ganhou destaque em 2010, por conta de seu centenário. Foi bem bacana! Estudantes do Brasil inteiro (numa quantidade menor do que gostaríamos, é claro!) conheceram o Poeta da Vila, sua biografia, músicas, pensamentos, etc, etc, etc.

No “Pitadas...” os alunos recebiam mais que as dicas. Recebiam áudios com os trechos das músicas e textos com pedacinhos de suas letras. Com todo o material na mão, eles faziam as associações necessárias para chegar ao fim da charada – o que garantia, além de diversão, certa reflexão sobre o que dizia cada letra... 

Aqui, um pouco por preguiça um pouco por incompetência, não coloquei os áudios, e achei que as estrofes facilitariam muito a vida dos barbados que freqüentam o blog...
Para o gabarito, no entanto, acho bacana inserir o trecho da letra...    




dica
trecho da letra
música e autor
1
Pessoa quer mudar sua maneira de viver porque considera que com o comportamento atual não conseguirá alcançar seus objetivos.
Eu hoje vou mudar minha conduta / Eu vou à luta, pois eu quero me aprumar / Vou tratar você na força bruta / Que é pra poder me reabilitar / Pois esta vida não está sopa...
Com que Roupa?
(Noel Rosa)

2
As considerações a respeito do gênero musical mais popular do Brasil.
Batuque é um privilégio /  Ninguém aprende samba no colégio / Sambar é chorar de alegria / É sorrir de nostalgia dentro da melodia
Feitio de Oração
(Noel Rosa e Vadico)

3
Simpatizante da Vila Izabel, bairro e escola de samba carioca, faz referência a outras escolas e critica quem não consegue entender todas as possibilidades da sua escola preferida.
Quem é você que não sabe o que diz? / Meu Deus do Céu, que palpite infeliz! /
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, / Oswaldo Cruz e Matriz / Que sempre souberam muito bem / Que a Vila Não quer abafar ninguém, / Só quer mostrar que faz samba também
Palpite Infeliz
(Noel Rosa)
4
Pessoa assume que não consegue manter suas decisões, mesmo sabendo-se prejudicada com esse comportamento.
Jurei não mais amar pela décima vez / Jurei não perdoar o que ela me fez / O costume é a força que fala mais forte do que a natureza / E nos faz dar provas de fraqueza
Pela Décima Vez
(Noel Rosa)

5
Rapaz apaixonado sofre com o comportamento da amada e com as lembranças que giram em torno dela.
Quando o apito da fábrica de tecidos / Vem ferir os meus ouvidos, eu me lembro de você / Mas você anda sem dúvida bem zangada / Ou está interessada em fingir que não me vê
Três Apitos
(Noel Rosa)
6
Cliente que aparenta ter muita intimidade com atendente de estabelecimento comercial faz inúmeros pedidos.
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada / Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d'água bem gelada / Fecha a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol / Vá perguntar ao seu freguês do lado / Qual foi o resultado do futebol
Conversa de Botequim
(Noel Rosa e Vadico)
7
Após reflexões sobre a melhor maneira de conduzir a vida, pessoa chega a uma conclusão que a protege dos comentários alheios.
Mas a filosofia hoje me auxilia / A viver indiferente assim / Nesta prontidão sem fim / Vou fingindo que sou rico / Pra ninguém zombar de mim
Filosofia
(Noel Rosa e André Filho)
8
Pessoa que quando alterada apresenta dificuldade de articulação, repetindo sílabas das palavras ao falar.
Mu... mu... mulher, em mim / fi... zeste um estrago
Eu de nervoso esto... tou
fi... ficando gago / Não po... posso com a     cru... crueldade / Da saudade, Que... que mal... maldade /
Vi... vivo sem afago
Gago Apaixonado
(Noel Rosa)
9
História de amor e desencontro entre personagens da Commedia dell’Arte (Itália, século XVI) que se tornaram comuns nos bailes de carnaval do Brasil.
Um pierrô apaixonado / Que vivia só cantando / Por causa de uma colombina / Acabou chorando, acabou chorando
Pierrô Apaixonado
(Noel Rosa e Heitor dos Prazeres)
10
Recomendações de como as pessoas devem se comportar em sua ausência definitiva.
Quando eu morrer, não quero choro nem vela / Quero uma fita amarela gravada com o nome dela / Se existe alma, se há outra encarnação / Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Fita Amarela
(Noel Rosa)

Muita saudade de fazer esse trabalho!


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

qual é a música?


Pra quem não viu o primeiro “qual é a música?” que postei aqui, segue novamente o texto, com novo desafio.

O pessoal da tecnologia educacional, da Positivo Informática, há alguns anos começou um trabalho bem bacana que envolve MPB e crianças... Aprendi com eles um exercício muito legal, se não me engano foi o Eduardo e o Luca que inventaram no primeiro ano de projeto, e depois eu segui na esteira...
Simples assim: um texto e você adivinha qual é a música.

Quem consegue?

1. Pessoa quer mudar sua maneira de viver porque considera que com o comportamento atual não conseguirá alcançar seus objetivos.
2. As considerações a respeito do gênero musical mais popular do Brasil.
3. Simpatizante da Vila Izabel, bairro e escola de samba carioca, faz referência a outras escolas e critica quem não consegue entender todas as possibilidades da sua escola preferida.
4. Pessoa assume que não consegue manter suas decisões, mesmo sabendo-se prejudicada com esse comportamento.
5. Rapaz apaixonado sofre com o comportamento da amada e com as lembranças que giram em torno dela.
6. Cliente que aparenta ter muita intimidade com atendente de estabelecimento comercial faz inúmeros pedidos.
7. Após reflexões sobre a melhor maneira de conduzir a vida, pessoa chega a uma conclusão que a protege dos comentários alheios.
8. Pessoa que quando alterada apresenta dificuldade de articulação, repetindo sílabas das palavras ao falar.
9. História de amor e desencontro entre personagens da Commedia dell’Arte (Itália, século XVI) que se tornaram comuns nos bailes de carnaval do Brasil.
10. Recomendações de como as pessoas devem se comportar em sua ausência definitiva.

Uma super pista: 





sábado, 17 de novembro de 2012

3X4


Meu querido amigo de longa data, intensos encontros e bom humor contínuo, Renato Braz, está na cidade.

Faz show com o incrível Nelson Ayres.

Assisti meio de lado, sem conseguir encarar os artistas direito... meio de olho fechado, meio espiando, meio cantando em pensamento, meio tudo, pra dar conta do inteiro que rolou dentro de mim...

O Braz já não canta mais como antes. Canta melhor! Canta mais! Faz a gente flutuar, entender as canções, pensar nas músicas, se divertir com letras e, por fim, chorar.

Tenho muito a dizer sobre o Ayres também, mas hoje, estou com vontade de tratar do Renato.

Simples e refinado; chique e maloqueiro; cabelo preso, cabelo solto; tranquilo e arrebatador; leve e denso. Bom apetite, bom humor, bom papo. Bom homem. Homem bom, do bem, pro bem.    

O Renato Braz é uma dessas pessoas que a gente tropeça por acaso na vida e carrega pra sempre. 

Eu fico a observar o seu público: há um amor por ele, uma comoção, uma proximidade... as conversas entre as pessoas que não se conhecem mas que tem Braz como ponto comum, acabam sendo fluidas, calmas, conversas de fraternidade.

É bonito ver como um público reflete a personalidade artística de seu escolhido. Nessas horas, até dá pra pensar que o mundo tem salvação – principalmente se a massa trocar shortinho, gritinhos e rebolados por acordes, palavras e belas melodias. 



sábado, 23 de junho de 2012

se fizer bom tempo amanhã...



Eu, Lívia e Marta fomos ao Paiol na fria noite de sábado. O primeiro sábado se inverno. Lá dentro, inverso de inverno. Um clima descontraído como se estivéssemos no quintal da casa da Suzie e do Vicente num dia ensolarado e cheio de calorzinho e sol e cerveja e... samba!


No show “Eu Canto Samba” o grupo fez um passeiozinho pelo nosso ritmo maior. Tintim por tintim cantaram as delicadezas de letras dos nossos tão aplaudidos  compositores populares. No repertório, delícias para ouvir, cantar e dançar: Noel Rosa, Paulinho da Viola, Haroldo Barbosa, Dorival Caymmi, Sinhô e por aí vai...

Eu sei que o Vicente, maestro, arranjador e instrumentista é rigoroso, exigente e dedicado e que a turma toda estuda e se empenha muito, mas há tanta leveza e bom humor no palco que parece que aquilo tudo é pura brincadeira.

Quem não conhece o Brasileirão, deve colar na agenda do grupo e segui-lo pelas paragens que volta e meia fazem pela cidade.

perdão pela foto mal tirada, eu estava mais interessada na música...
Suzie Franco e Renildes Chiquito (sopranos), Cida Airam e Fernanda Sabbagh (mezzo-sopranos), Beth Lopes e Renata Melão (contraltos), Bruno Mazanek e Levi Brandão (tenores), Reginaldo Nascimento e André Barroso (barítonos), e Marcos Appel e Freddy Branco (baixos). No instrumental (hoje): Fábio Cardoso (piano), Sandro Guaraná (baixo), Vicente Ribeiro (cavaquinho), Cláudio Menandro (violão 7 cordas), Luis Rolim e Marcos Saldanha (percussão).

É sempre bom lembrar que essa turma conta com os trabalhos de produção da competentíssima Beth Carlos. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

gosto tanto de conversar com o waltel


ele sempre conta ótimas histórias, com humor tranquilo, fala lenta e faz aqueles barulhinhos que só os músicos conseguem quando querem lembrar de uma melodia...


recebi visita do maestro semana passada e pra minha felicidade a lina faria
estava na sala


segunda-feira, 19 de março de 2012

desanoitece a manhã, tudo mudou

faz algum tempo que deixei de ouvir caetano veloso. não que tenha me cansado ou mudado ou qualquer outra coisa do tipo. o trabalho me ocupa com outras possibilidades, coisas novas, gente nova... o tempo é curto e eu acabo me dedicando a quem está chegando, por ser curiosa, por querer saber o que acontece hoje-agora-já e pela vontade e necessidade de renovar repertório.
 
mas...
 
ontem, estava arrumando umas coisas aqui em casa e encontrei, reencontrei, o álbum "jóia". ouvi. lá no meio, a bela surpresa "pipoca moderna", do caetano em parceria com o sebastião biano, da banda de pífanos de caruaru.
puxa vida! que bom, vez ou outra, poder ouvir caetano naquele jogo de palavras que faz/fez dele um compositor tão bacana...
 
fiquei com vontade de postar aqui, mas não encontrei a versão do "joia", também não me esforcei muito; me irritou encontrar umas gravações que trocaram o tom sertanejo, agreste por uma coisa modernosa. então, fica a letra, torcendo para que você tenha o álbum...
 


E era nada de nem noite de negro não
E era nê de nunca mais
E era noite de nê nunca de nada mais
E era nem de negro não
Porém parece que há golpes de pê, de pé, de pão
De parecer poder
E era não de nada nem
Pipoca ali, aqui, pipoca além
Desanoitece a manhã
Tudo mudou


ah! esse som é dos pífanos (banda de pífanos de caruaru), junto com gil, gravado em 72, bem lindinho...


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sinal fechado


Caçarola! Acontece cada coisa nessa vida estranha, estranha vida.
Hoje, por conta de uns problemas pessoais e umas liberdades adquiridas, saí um pouquinho mais cedo do trabalho. Coisa pouca, cerca de uma hora antes do horário habitual.
O público na rua é outro num intervalo tão pequeno. Impressionante! Quando saio ao término do tempo regulamentar, o movimento de carro é um absurdo, um tal de para avança, para avança, para avança sem fim. Todo mundo de mau humor e pouca gentileza no asfalto.
60 minutos antes, o mundo muda. Apesar das máquinas na pista que recapeiam a cidade toda, o trânsito flui.
Pois bem, eu dirigindo e cantando a plenos pulmões, como adoro fazer quando estou sozinha no carro, parei no sinal. Me distraí no meio de “Eu me sinto tolo como um viajante / Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia / E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria / É que arde o medo onde o amor ardia…”, da Thereza Tinoco, que, além de gostar, caiu feito luva para o dia de hoje.
No carro ao lado um bonitão buzinou: “Ei, por que que você não está ouvindo a Educativa? Que saia justa, hein? Te peguei!”. O sinal abriu e ele foi embora, rindo. Não sei quem era, nunca vi, nem conheço ninguém que tenha um carro daquele tamanho e valor, também não sei como ele sabe que trabalho na rádio e menos ainda como ouviu minha cantoria, porque apesar dos dós de peito, eu não atrapalho ninguém com minha música, o decibel sempre é só pra mim.
Então, como ele estava em sentido contrário e cada um seguiu seu caminho, deixa eu me explicar com o bonitão. Eu sempre estou com o rádio ligado, com a rádio. Sempre. Mas hoje, enquanto você ouvia a 97.1 FM, eu me entregava a AM 630. A Educativa é mais que uma, atenção com o dial.